São vinte cinco quilómetros até à vila, onde o grupo o espera. Amigos de longa data, interesses comuns a juntar gente diferente. Vão chegando, com o entusiasmo à frente e as palavras por arrasto; é sempre assim quando se encontram, parece que os anos se espantam e fogem muito lá para trás, já nem a memória se recorda. São vinte e cinco quilómetros para lá, vinte e cinco para cá. Cinquenta ao todo. Não tem gasolina que chegue e nem vale a pena imaginar outro meio de transporte, pois ele não existe. Situação deprimente, não se confessa ao melhor amigo. Nunca se viu assim. Dinheiro raramente é tema de conversa, na roda dos aflitos. Mesmo que não exista, convém agir como se houvesse. É de bom tom. Ele hesita. Talvez ir para o meio da estrada, apanhar boleia, mesmo sabendo que está fora de moda, que até pode ser perigoso. Sempre disfarçava o estado de penúria. Ganhava tempo, com um golpe de sorte podia inverter a situação. Subitamente, ri-se do próprio pensamento. São apenas amigos. Amigos de sempre. O resto do saldo ainda dá para fazer um telefonema. “Estou? É para dizer que não posso ir. Não tenho dinheiro. É como te digo. Ris-te? Se é partida de Carnaval? Nunca falei tão a sério. Diz-lhes.” O espanto do grupo é geral, cá deste lado. Por vinte e cinco quilómetros? Mas porque é que ele não nos disse? Não fazia a menor ideia. Sim, andava desanimado. Já pouco falava. Sempre foi introvertido. Mas por vinte e cinco quilómetros? Podia ter dito. O que é que tinhas feito? O que tu farias. Emprestar dinheiro. Se fosse contigo: Confessavas? Talvez não. Ah, voltamos então ao princípio. Não exageres. Não é o fim do mundo, faltar a um encontro de amigos. Hão-de haver mais oportunidades.quinta-feira, 19 de junho de 2008
O encontro
São vinte cinco quilómetros até à vila, onde o grupo o espera. Amigos de longa data, interesses comuns a juntar gente diferente. Vão chegando, com o entusiasmo à frente e as palavras por arrasto; é sempre assim quando se encontram, parece que os anos se espantam e fogem muito lá para trás, já nem a memória se recorda. São vinte e cinco quilómetros para lá, vinte e cinco para cá. Cinquenta ao todo. Não tem gasolina que chegue e nem vale a pena imaginar outro meio de transporte, pois ele não existe. Situação deprimente, não se confessa ao melhor amigo. Nunca se viu assim. Dinheiro raramente é tema de conversa, na roda dos aflitos. Mesmo que não exista, convém agir como se houvesse. É de bom tom. Ele hesita. Talvez ir para o meio da estrada, apanhar boleia, mesmo sabendo que está fora de moda, que até pode ser perigoso. Sempre disfarçava o estado de penúria. Ganhava tempo, com um golpe de sorte podia inverter a situação. Subitamente, ri-se do próprio pensamento. São apenas amigos. Amigos de sempre. O resto do saldo ainda dá para fazer um telefonema. “Estou? É para dizer que não posso ir. Não tenho dinheiro. É como te digo. Ris-te? Se é partida de Carnaval? Nunca falei tão a sério. Diz-lhes.” O espanto do grupo é geral, cá deste lado. Por vinte e cinco quilómetros? Mas porque é que ele não nos disse? Não fazia a menor ideia. Sim, andava desanimado. Já pouco falava. Sempre foi introvertido. Mas por vinte e cinco quilómetros? Podia ter dito. O que é que tinhas feito? O que tu farias. Emprestar dinheiro. Se fosse contigo: Confessavas? Talvez não. Ah, voltamos então ao princípio. Não exageres. Não é o fim do mundo, faltar a um encontro de amigos. Hão-de haver mais oportunidades.quinta-feira, 12 de junho de 2008
Um ladrão especial
quarta-feira, 4 de junho de 2008
A despedida
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