Os dias atravessam-se e a chave suplente toma o lugar da original, levando o carro da sua dona para todo o sítio. Os gestos dela tornam-se maquinais; liga a ignição, desliga o motor, mete a chave dentro da mala. Por vezes, existem pequenos momentos em que a dona a espreita; sobretudo o porta-chaves, que é de plástico, ao contrário do outro, de pele e com a marca inscrita. Será que alguém apanhou a chave? Ou terá sido em casa? A dúvida persiste, com a certeza de que terá sido impossível ter-se evaporado.
O tempo volta a distanciar-se do dia em que ela descobriu que tinha perdido as chaves. Nos últimos tempos pensa inclusive fazer uma segunda cópia, não vá a suplente perder-se. Seria catastrófico. Até que entra no carro, parado há vários dias. A chuva caiu forte, o vento fustigou as árvores e as folhas soterraram o capot do carro. Os vidros estão cobertos por uma camada de pó fina, que lhe turva a visão. Liga a ignição, pondo o limpa pára brisas a funcionar, ouvindo de imediato um ruído estranho. Pára e liga. Torna a parar e a ligar, repetindo a operação várias vezes, conseguindo identificar o objecto pendurado na escova do limpa pára brisas: a chave perdida, desta vez, sem o porta-chaves de pele. Parece tratar-se de uma brincadeira, alguém que apanhou aquela chave e a colocou ali, quando há tantos carros da mesma marca. Um calafrio percorre-lhe a espinha. Se a puseram ali, foi porque experimentaram o carro.
O tempo volta a distanciar-se do dia em que ela descobriu que tinha perdido as chaves. Nos últimos tempos pensa inclusive fazer uma segunda cópia, não vá a suplente perder-se. Seria catastrófico. Até que entra no carro, parado há vários dias. A chuva caiu forte, o vento fustigou as árvores e as folhas soterraram o capot do carro. Os vidros estão cobertos por uma camada de pó fina, que lhe turva a visão. Liga a ignição, pondo o limpa pára brisas a funcionar, ouvindo de imediato um ruído estranho. Pára e liga. Torna a parar e a ligar, repetindo a operação várias vezes, conseguindo identificar o objecto pendurado na escova do limpa pára brisas: a chave perdida, desta vez, sem o porta-chaves de pele. Parece tratar-se de uma brincadeira, alguém que apanhou aquela chave e a colocou ali, quando há tantos carros da mesma marca. Um calafrio percorre-lhe a espinha. Se a puseram ali, foi porque experimentaram o carro.

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