As mensagens sucedem-se, umas após as outras. O telemóvel foi-lhe oferecido, um topo de gama, como qualquer presente de estimação merece ser. É ele, a dizer que a adora, sem nunca estar. Seguem-se declarações de todo o género, citações de autores, frases inventadas na hora sobre o tema. Ela suspira. É um momento de poesia que a faz saborear a ausência. Uma história inventada à volta de um personagem que criou e que, no fluir da virtualidade, cumpre os desejos do seu imaginário. Ouve-se um ruído, de repente. É o telemóvel a tocar, chamando-a à realidade. Ainda por cima, é ele, de viva voz. Ela apressa-se a mostrar uma disponibilidade irreal, cerrando fileiras a todos os minutos que ainda se escondem do resto do dia. Ele surpreende-se, como sempre; hesita entre a súbita vontade de a ver e a vontade de a ver ao longe, de a preservar dentro do mini ecrã do telemóvel, emoldurada com aquelas frases bonitas, que têm trocado. Uma história inventada por ele, também, à medida dos seus desejos. Quando se encontram, sobra uma estranheza no ser e no estar. Desaparecem as frases românticas, para dar lugar a uma série de mal-entendidos, que ficam sempre por explicar. Ela abate-se, nesta curta vivência. Não compreende porque é que as peças do puzzle não encaixam. Só pode ser por sua culpa. O único conforto é a chegada a casa, refugiando-se na esperada chuva de mensagens. Hoje, o telemóvel não apita, à hora do costume. Ela olha para o relógio, inquieta. Agarra no telemóvel e sacode-o, com força, tentando que este despeje as mensagens que lhe deve. De repente, o telemóvel toca, em vez de apitar. É a voz dele, que desabafa: “ Quero dizer-te que a minha história contigo já terminou. Acabou de vez a inspiração”.terça-feira, 27 de maio de 2008
Histórias inventadas
As mensagens sucedem-se, umas após as outras. O telemóvel foi-lhe oferecido, um topo de gama, como qualquer presente de estimação merece ser. É ele, a dizer que a adora, sem nunca estar. Seguem-se declarações de todo o género, citações de autores, frases inventadas na hora sobre o tema. Ela suspira. É um momento de poesia que a faz saborear a ausência. Uma história inventada à volta de um personagem que criou e que, no fluir da virtualidade, cumpre os desejos do seu imaginário. Ouve-se um ruído, de repente. É o telemóvel a tocar, chamando-a à realidade. Ainda por cima, é ele, de viva voz. Ela apressa-se a mostrar uma disponibilidade irreal, cerrando fileiras a todos os minutos que ainda se escondem do resto do dia. Ele surpreende-se, como sempre; hesita entre a súbita vontade de a ver e a vontade de a ver ao longe, de a preservar dentro do mini ecrã do telemóvel, emoldurada com aquelas frases bonitas, que têm trocado. Uma história inventada por ele, também, à medida dos seus desejos. Quando se encontram, sobra uma estranheza no ser e no estar. Desaparecem as frases românticas, para dar lugar a uma série de mal-entendidos, que ficam sempre por explicar. Ela abate-se, nesta curta vivência. Não compreende porque é que as peças do puzzle não encaixam. Só pode ser por sua culpa. O único conforto é a chegada a casa, refugiando-se na esperada chuva de mensagens. Hoje, o telemóvel não apita, à hora do costume. Ela olha para o relógio, inquieta. Agarra no telemóvel e sacode-o, com força, tentando que este despeje as mensagens que lhe deve. De repente, o telemóvel toca, em vez de apitar. É a voz dele, que desabafa: “ Quero dizer-te que a minha história contigo já terminou. Acabou de vez a inspiração”.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário