Dia de aniversário. São quase todos os dias assim. Dias em pleno, repletos de movimento, um mar de prendas, um mar de gente, os pedidos atendidos, os desejos satisfeitos e um horizonte longínquo, aparentemente vazio, com uma luz por agarrar. Os deveres que se vão cumprindo, sem vontade, nem prazer. E a luz a chamar, a chamar. Os gostos que se experimentam, e que cedo aborrecem. A natação, o futebol, a esgrima, a vela, o inglês, a música, os computadores e a escola. Anos a fio, sentado à porta do horizonte longínquo, a admirar o brilho da luz mágica. Um curso por acaso e uma profissão feita à pressa, depois outra, outra e ainda mais outra. Uma casa feita por magia, um tropeço na mulher e nos filhos, a responsabilidade a apertar, o tédio a espreitar e a tentação de regressar ao dia do aniversário, ao monte de prendas recebido, à escuridão de gentes e desejos. Um fio de luz à vista e a partida à descoberta de outros gostos que não se façam desgostos. Sem parar, sem parar. Pelo caminho, os olhares, que aos poucos, largam as prendas, os desejos e as gentes. À frente dele, o horizonte gigante, de tão perto estar. A suar, a suar, a luz que se atinge e se extingue, o horizonte que se desfaz e a surpresa de não existir mais nada para além de ele próprio.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
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