Alguém disparou um tiro dentro da minha mãe. Luz verde para os espermatozóides, que aguardam, ansiosos, por este momento. Saem da sua caverna ainda o tiro se faz ouvir, atabalhoando-se na corrida, de quem raramente sai em exercício de funções. Os óvulos esperam-nos placidamente do outro lado, com ar negligée a par, desdenhando estes seres pouco capazes. Mais uma vez dispõem-se a fazer a selecção natural e tentar apurar um vencedor.
Óscar e Osório ganham velocidade e voam através dos túneis labirínticos. Para trás ficam milhares de colegas, emaranhados uns nuns outros, lutando titanicamente para se desenredarem daquele lugar. Os treinos são escassos, sem metodologia e organização, deixando o pódio livre aos expeditos, na subida ao triunfo.
Os dois espermatozóides batem às portas blindadas, habitualmente trancadas. A boa educação manda-os insistir, sem obter resposta. Óscar tem uma ideia. “Vamos arrombá-la”, diz para Osório. “Como, se somos tão ínfimos?”, pergunta este, atrapalhado com a situação. “ Temos a vantagem de ter um cérebro maior que o nosso corpo”, responde Óscar, convicto da sua estratégia. “Vens?” Osório abana a cabeça, abandonando o projecto “Não consigo. Tenta tu”. E antes que Óscar reaja, vira-lhe costas, indo de encontro à barafunda dos colegas, que continuam apinhados quilómetros atrás.
Óscar sente-se atraído pelo quente do óvulo, que sai através dos seus poros. Contorna-o, apalpando as suas paredes macias e vulneráveis.
“ Ninguém me impede de entrar pelas traseiras”, pensa. Põe-se em posição de estilete, estica-se e começa a abalroar a casa mãe, em ataques sucessivos. O tecido começa a ceder, ele enfia a cabecinha no escuro, disfarça-se de alfinete e entra lá dentro de vez.
Começo a tremer, sentindo-me a crescer, com o Óscar a fazer parte de mim. Finalmente formo-me, após existir apenas em ideia há tanto tempo. Navego num líquido suave, vejo os meus pés, as mãos, as unhas a ganharem contornos. Ouço coisas, que estão ao longe. Por vezes conversas curtas, gritos entrecortados, fazendo perigar o barco onde me encontro. Existem alturas em que as paredes da barriga mãe se comprimem aos solavancos, durante estes ataques de fúria. O barco fica de repente muito pequenino e a água parece escoar para outros lados. Quase fico sufocada ao longo destes episódios; o que me vale é que sou feita de um Óscar, vencedor nato, que me fez de uma fibra praticamente indestrutível.
Óscar e Osório ganham velocidade e voam através dos túneis labirínticos. Para trás ficam milhares de colegas, emaranhados uns nuns outros, lutando titanicamente para se desenredarem daquele lugar. Os treinos são escassos, sem metodologia e organização, deixando o pódio livre aos expeditos, na subida ao triunfo.
Os dois espermatozóides batem às portas blindadas, habitualmente trancadas. A boa educação manda-os insistir, sem obter resposta. Óscar tem uma ideia. “Vamos arrombá-la”, diz para Osório. “Como, se somos tão ínfimos?”, pergunta este, atrapalhado com a situação. “ Temos a vantagem de ter um cérebro maior que o nosso corpo”, responde Óscar, convicto da sua estratégia. “Vens?” Osório abana a cabeça, abandonando o projecto “Não consigo. Tenta tu”. E antes que Óscar reaja, vira-lhe costas, indo de encontro à barafunda dos colegas, que continuam apinhados quilómetros atrás.
Óscar sente-se atraído pelo quente do óvulo, que sai através dos seus poros. Contorna-o, apalpando as suas paredes macias e vulneráveis.
“ Ninguém me impede de entrar pelas traseiras”, pensa. Põe-se em posição de estilete, estica-se e começa a abalroar a casa mãe, em ataques sucessivos. O tecido começa a ceder, ele enfia a cabecinha no escuro, disfarça-se de alfinete e entra lá dentro de vez.
Começo a tremer, sentindo-me a crescer, com o Óscar a fazer parte de mim. Finalmente formo-me, após existir apenas em ideia há tanto tempo. Navego num líquido suave, vejo os meus pés, as mãos, as unhas a ganharem contornos. Ouço coisas, que estão ao longe. Por vezes conversas curtas, gritos entrecortados, fazendo perigar o barco onde me encontro. Existem alturas em que as paredes da barriga mãe se comprimem aos solavancos, durante estes ataques de fúria. O barco fica de repente muito pequenino e a água parece escoar para outros lados. Quase fico sufocada ao longo destes episódios; o que me vale é que sou feita de um Óscar, vencedor nato, que me fez de uma fibra praticamente indestrutível.
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