
É hora de ponta. Ele desce a calçada, apressado, ziguezagueando por entre milhares de rostos anónimos. O dia é vivido ao dobro da velocidade. 120 segundos por minuto, 120 minutos por hora, 48 horas por dia. Oxalá pudesse viver esta proeza ao quádruplo da velocidade. Os outros ficariam ainda mais para trás. Não é que perca muito tempo com eles. Cada vez perde menos. E o tempo não se pode desperdiçar. No meio da calçada, encontra duas ou três caras conhecidas, talvez mais. Actualmente, é reconhecido debaixo de qualquer disfarce. “É o preço da fama”, pensa com orgulho. Acelera o passo no passeio concorrido, desviando-se dos conhecidos. A mão acena ao longe, a cabeça abana, dizendo que está tudo bem, o sorriso de medida certa corta o diálogo.

Ainda se ouve: “Desculpe, estou cheio de pressa!” Os dias aceleram, na companhia dele. Destacado dos outros, como se de uma maratona se tratasse, continua a correr, aumentando ainda mais a distância que, por si só, se tornou inalcançável. Um dia, de regresso à calçada, cruza-se com alguém mais famoso do que ele. Um ídolo que venera, um ícone de uma geração. A calçada despe-se de todas as pessoas que por ali passam, deixando-os a sós no cruzamento. Ele aborda a pessoa, confiante de que ambos pisam o mesmo tapete. A expressão carrancuda do famoso não ajuda, mais o guarda-costas atrás, que o repele como a um vulgar mosquito. Mais tarde, na mesma calçada, ainda meio atordoado com o episódio, ele abranda o passo, queixando-se a um ou outro conhecido que passa. Ninguém reconhece a lentidão dos gestos, o ar abatido e a voz que não se cala. Ninguém compreende porque é que o tempo deixou de existir.

Ainda se ouve: “Desculpe, estou cheio de pressa!” Os dias aceleram, na companhia dele. Destacado dos outros, como se de uma maratona se tratasse, continua a correr, aumentando ainda mais a distância que, por si só, se tornou inalcançável. Um dia, de regresso à calçada, cruza-se com alguém mais famoso do que ele. Um ídolo que venera, um ícone de uma geração. A calçada despe-se de todas as pessoas que por ali passam, deixando-os a sós no cruzamento. Ele aborda a pessoa, confiante de que ambos pisam o mesmo tapete. A expressão carrancuda do famoso não ajuda, mais o guarda-costas atrás, que o repele como a um vulgar mosquito. Mais tarde, na mesma calçada, ainda meio atordoado com o episódio, ele abranda o passo, queixando-se a um ou outro conhecido que passa. Ninguém reconhece a lentidão dos gestos, o ar abatido e a voz que não se cala. Ninguém compreende porque é que o tempo deixou de existir.
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