sábado, 5 de janeiro de 2008

O labirinto

Passa por dias negros, sem se aperceber. Faça sol ou chuva, tanto faz, é um labirinto onde ela se enreda, onde se perde, onde ganha o hábito de viver todos os dias. Há caminhos que parecem atalhos, prometem uma saída airosa até à estrada principal, mas depressa desembocam em becos sem saída, muros altos de tijolos grossos, sem uma janela, sem um buraco por onde espreitar. A nossa amiga vive em céu destapado, presa fácil para quem espreita de fora. No meio desta aflição há um amigo que promete destruir a sensação de labirinto, de escuridão invisível, do desespero que lhe enche a alma. O começo de uma nova vida, de uma vida que, afinal está sempre a começar. O entusiasmo nasce da nova proposta; um negócio fácil, em terreno desconhecido, com pormenores desconhecidos, contrato à frente, com cara de tábua de salvação. As dívidas, a má sorte, os anseios, os sonhos. Tudo. Despem-se as paredes do labirinto, desaparecem os caminhos difíceis, nascem saídas. E deitam-se mãos ao trabalho, com uma energia contagiante. Desfolham-se dias, em que tudo parece correr bem.

Em cada um, há sempre um pormenor que não consta do contrato, tão pequeno, que só uma lupa consegue detectar. As decepções são curtas, apesar de se irem avolumando, causando uma estranheza que lhe desperta sentimentos contraditórios. Quando a imagem se aclara, ela vê com nitidez o que a escuridão escondeu antes. Uma trapaça simples, armada por um agiota sem classe. Revoltada, luta sob fúria, tentando repôr a verdade. Compreende que a estrada está deserta, e continua, até se perder de vista. Inesperadamente, o labirinto reaparece, envolvendo-a. Uma luz diferente penetra, derrotando a escuridão. São caminhos novos, a repensar.



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